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DemĂȘncia: Melhor Prevenir!

  • Dra. Elaine Cristina Lima
  • 6 de out. de 2016
  • 6 min de leitura

DemĂȘncia: Melhor Prevenir!

A prevalĂȘncia cresce com a longevidade

A melhora nas condiçÔes de diagnĂłstico e tratamento no Ășltimo sĂ©culo, trouxe novos desafios para a CiĂȘncia. A longevidade carrega consigo o medo da perda da autonomia. As doenças que levam Ă  DemĂȘncia vĂȘm sendo o alvo de terapĂȘuticas ainda ineficazes.

Pesquisas existentes mostram que a DemĂȘncia cresce acentuadamente com a idade, sendo que, as mulheres e os analfabetos apresentam uma prevalĂȘncia mais elevada. No Brasil, a incidĂȘncia Ă© mais elevada, a taxa para a população de 65 anos ou mais vai subir de 7,6% para 7,9% entre 2010 e 2020.

A cada dez dĂ©cadas de sobrevida, o Ă­ndice aumenta muito. Aos 80 anos, a prevalĂȘncia da DemĂȘncia pode chegar a 50%

AS DEMÊNCIAS DEGENERATIVAS

O tipo de DemĂȘncia mais conhecido Ă© a Doença de Alzheimer, que responde por 60 % dos casos. A perda de memĂłria para fatos recentes, com piora progressiva chegando a amnĂ©sia (apagar totalmente o fato) Ă© o sintoma mais importante para o diagnĂłstico, porĂ©m sozinho nĂŁo define a doença. O quadro evolui para outras ĂĄreas cerebrais acometidas com desorientação no tempo e no espaço, dificuldade em executar tarefas que realizava com facilidade, dificuldades com julgamento, escrita, leitura, autocuidado, incontinĂȘncia urinĂĄria e assim progressivamente.

Mas existem outros tipos de DemĂȘncia nas doenças conhecidas como degenerativas.

O segundo tipo mais comum Ă© a DemĂȘncia Vascular, onde o indivĂ­duo apresenta fatores de risco importantes para Acidente Vascular Cerebral e geralmente tem a doença desencadeada num episĂłdio de AVC. As duas DemĂȘncias podem se sobrepor, entĂŁo chamamos de DemĂȘncia Mista.

O terceiro tipo Ă© a DemĂȘncia por CorpĂșsculos de Lewi, responsĂĄvel por 20% dos casos. Uma caracterĂ­stica desta doença Ă© a alucinação visual e alguns sintomas que lembram a Doença de Parkinson, como alteraçÔes de marcha, desequilĂ­brio, tremor e rigidez.

A DemĂȘncia Fronto-Temporal perfaz entre 10 a 15% dos casos. A marca dessa doença Ă© a alteração de comportamento inicial como grande apatia, falta de crĂ­tica, mudanças de conduta social, desinibição, impulsividade, falta de persistĂȘncia ou dificuldade para nomear objetos e precoce diminuição da fluĂȘncia da fala.

Outra causa de DemĂȘncia Ă© a Doença de Huntington, uma enfermidade degenerativa de transmissĂŁo genĂ©tica, autossĂŽmica dominante (cada indivĂ­duo descendente de alguĂ©m afetado, tem 50% de chance de ser portador do gene e ter a doença). Geralmente inicia-se entre 30 e 40 anos, mas pode começar mais cedo, inclusive na adolescĂȘncia. HĂĄ alteraçÔes na cognição semelhante ao Alzheimer, mas hĂĄ muita labilidade emocional com um alto Ă­ndice de depressĂŁo e suicĂ­dio. Mas o mais marcante sĂŁo os distĂșrbios do movimento, com descontrole da fala, da deglutição, com espasmos vocais e movimentos parasitas em membros (em forma de inquietude, abalos ou movimentos sinuosos – movimentos chamados coreo-atetĂłticos).

O paciente evolui com muita dificuldade para deambular e precisa de auxílio para autocuidado e alimentação. A causa foi identificada no cromossomo 4 (uma repetição anÎmala) e não hå cura ainda, apenas medicaçÔes paliativas como o Tetrabenazine, os Neurolepticos, antidepressivos e moduladores do humor.

DEMÊNCIAS DE CAUSAS REVERSÍVEIS

O MĂ©dico tem obrigação de diferenciar as DemĂȘncias reversĂ­veis, ou seja, potencialmente curĂĄveis. Entre elas, posso citar:

  • DeficiĂȘncia de vitamina B12 que pode ocorrer associada a quadros carenciais (etilismo, gestação, baixa ingestĂŁo de carne), no Hipotireoidismo e na Gastrite Autoimune;

  • Quadros infecciosos como SĂ­filis TerciĂĄria (quando afeta o cĂ©rebro ou medula) ou infecção pelo VĂ­rus do HIV;

  • Doença metabĂłlica, por exemplo o Hipotireoidismo;

  • Traumatismos encefĂĄlicos em sequĂȘncia (como a DemĂȘncia do Pugilista);

  • Hidrocefalia de PressĂŁo Normal ou HPN - O que chama atenção nesta patologia Ă© a importante dificuldade para marcha que ocorre no inĂ­cio de forma desproporcional. O indivĂ­duo apresenta incontinĂȘncia urinĂĄria, dificuldade acentuada para executar tarefas enquanto apresenta pouca alteração da memĂłria. O diagnĂłstico Ă© feito por um exame de imagem, histĂłria e ĂĄs vezes o liquor cefalorraquiano. O tratamento consiste em procedimento neurocirĂșrgico com colocação de um cateter que ajuda a circular o liquor (DVP - Derivação VentrĂ­culo Peritoneal).

ALZHEIMER FAMILIAR OU PRECOCE

Alguns casos de Alzheimer Precoce (abaixo de 65 anos) estĂŁo relacionados a transmissĂŁo genĂ©tica. Como o Alzheimer Ă© uma doença de alta prevalĂȘncia, pode haver casos numa mesma famĂ­lia. Isso nĂŁo significa que Ă© o Alzheimer Precoce ou Familiar, pois este Ă© um tipo raro (apenas 5 % dos casos). Alguns genes podem ser transmitidos pelos pais, no entanto, estes genes nĂŁo causam a doença por si sĂł, precisando estar associados a outros fatores como idade avançada, falta de exercĂ­cio fĂ­sico e mental, Diabetes, HipertensĂŁo ou traumatismo craniano para levar a doença. Ter um parente com Alzheimer dobra o risco de ter, mas nĂŁo Ă© determinante (depende do estilo de vida).

A Doença de Alzheimer Precoce ou Familiar pode se iniciar por volta dos 30 a 40 anos de idade. Os pais com esta alteração genética passam a mesma para 50% dos filhos e não hå possibilidades de prever a idade de seu início.

TRATAMENTO DA DOENÇA DE ALZHEIMER, DEMÊNCIA MISTA E DEMÊNCIA VASCULAR

Na Doença de Alzheimer, hĂĄ falta do neurotransmissor Acetilcolina, logo, as medicaçÔes padronizadas tĂȘm como efeito aumentar o nĂ­vel dessa substĂąncia no cĂ©rebro, como por exemplo os anticolinesterĂĄsicos (que evitam que a acetilcolina seja degradada e perca sua ação). Os medicamentos autorizados pela ANVISA sĂŁo: Rivastigmina, Donepezila e Galantamina, todos fornecidos pelo sistema de medicação de alto-custo do MinistĂ©rio da SaĂșde. Os pacientes com DemĂȘncia Mista seguem o mesmo tratamento, acrescendo da prevenção de Acidente Vascular EncefĂĄlico.

As terapias de apoio sĂŁo essenciais, como Fisioterapia, a Fonoterapia, a Terapia Ocupacional e as Psicoterapias.

HĂĄ estudos destacando a ação da MĂșsica e da Pintura na recuperação da memĂłria. A Arteterapia como forma de expressĂŁo, reinvenção e descoberta de novas possibilidades. O paciente trabalha com o potencial remanescente e concretiza pensamentos, sentimentos e emoção atravĂ©s da criatividade.

PREVENÇÃO DAS PRINCIPAIS CAUSAS DE DEMÊNCIA

Sabemos sobre os principais fatores de risco para o desenvolvimento da DemĂȘncia. Podemos estimar o risco de um determinado indivĂ­duo apresentar a doença, mas nĂŁo podemos determinar com certeza, se ela vai ocorrer. Logo, Ă© melhor nos preocuparmos em manter a saĂșde, pois para a DemĂȘncia nĂŁo hĂĄ cura ainda.

NĂŁo dominamos as causas de todas as DemĂȘncias, mas sabemos como diminuir muito as chances de ter os principais tipos. As medidas mais importantes sĂŁo comuns a muitas outras doenças: ingerir uma dieta saudĂĄvel, nĂŁo fumar, nĂŁo utilizar ĂĄlcool em excesso, realizar exercĂ­cios regularmente, diagnĂłstico precoce e tratamento da HipertensĂŁo, do Diabetes, da Dislipidemia e da Tireoidopatia.

Uma dieta saudåvel inclui alimentos ricos em fibras, isso significa associar ao cardåpio frutas e legumes frescos além de grãos. Não utilizar alimentos com níveis elevados de gorduras saturadas e gorduras trans. As gorduras recomendadas são as oriundas dos peixes, sementes, azeite e abacate (alguns exemplos). O sal deve ser limitado na dieta, pois eleva o risco de Hipertensão.

O controle do peso tambĂ©m Ă© importante, sobrepeso e obesidade sĂŁo fatores de risco. Índice de massa corpĂłrea entre 25 e 30 jĂĄ Ă© considerado sobrepeso (IMC = Peso / EÂČ, sendo, numerador em Kg e o denominador em cm).

AlĂ©m do cuidado com o corpo, Ă© essencial o cuidado com o cĂ©rebro e a ĂĄrea psicolĂłgica ou emocional. Os estudos mostram que as taxas de DemĂȘncia sĂŁo mais baixas nos povos que permanecem mentalmente e fisicamente ativos a maior parte do tempo possĂ­vel. As atividades que diminuem o risco de DemĂȘncia incluem a leitura, a escrita criativa (manutenção de um diĂĄrio, de um blog, escrever textos espontĂąneos ou livros), aprender novas lĂ­nguas, tocar instrumentos musicais, mudar ĂĄrea de atuação, educação continuada, praticar esportes (mudar de prĂĄticas).

Os esportes mais complexos como TĂȘnis, Golfe e Natação surtem bastante efeito. Os passeios e viagens mais longas sĂŁo muito estimulantes. Gostar de palavras cruzadas e decifrar enigmas tambĂ©m faz parte.

Se todas estas atividades os mantem felizes, vocĂȘs estĂŁo no caminho da prevenção. Mas se existir estresse excessivo, ansiedade e depressĂŁo, deve-se procurar ajuda de profissionais habilitados, um mĂ©dico Psiquiatra, um PsicĂłlogo, um Psicanalista ou um outro tipo de Terapeuta.

A grande maioria dos casos de DemĂȘncia nĂŁo sĂŁo genĂ©ticos. Os fatores ambientais sĂŁo bem mais determinantes e em muitos deles, nĂłs podemos agir a nosso favor, porĂ©m, a saĂșde deve ser preservada desde tenra idade.

O indivíduo, aos 70 anos, é o resultado de todas as suas açÔes por sete décadas e vai sofrer os efeitos cumulativos. Portanto, não tenham preguiça, comecem o mais råpido possível, pratiquem exercícios físicos, trabalhem com motivação, criem o håbito de ler diferentes livros, façam viagens para diferentes lugares, transformem-se em exploradores, aprendam a gostar de coisas novas, e sobretudo, sejam GRATOS e FELIZES!

Dra. Elaine Cristina Lima - Neurologista

Com mais de 16 de anos de experiĂȘncia vividos em Medicina,

na ĂĄrea de Neurologia com MBA Executivo em SaĂșde;

Expertise em Neurologia e ClĂ­nica MĂ©dica;

UNIFESP

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